A Samsung tem bons motivos para sorrir. Enquanto muita gente olha para a inteligência artificial pensando em chatbots, imagens geradas e servidores gigantes, existe uma parte menos glamourosa dessa história fazendo muito dinheiro circular: a memória DRAM.
E olha… ela virou peça central nessa corrida.
No primeiro trimestre de 2026, o mercado global de DRAM chegou a US$ 97,1 bilhões em receita, um salto de 85,3% em relação ao trimestre anterior, segundo dados atribuídos à Omdia. A Samsung ficou na liderança com US$ 37,4 bilhões, alta de 95,4%, e uma fatia de 38,6% do mercado.
Por que as vendas de DRAM dispararam tanto?
As vendas de DRAM cresceram porque a IA precisa de uma quantidade absurda de memória para funcionar bem. Não basta ter processadores poderosos. Os servidores também precisam carregar, mover e processar dados em alta velocidade, e é aí que entram as memórias de alto desempenho.
Na prática, cada novo data center voltado para IA aumenta a pressão sobre esse mercado. Empresas querem mais chips, mais capacidade e mais velocidade. Resultado? A demanda sobe, a oferta aperta e os preços acompanham.
A própria Samsung informou que sua divisão de semicondutores cresceu com força no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela procura por memória voltada à IA e por preços médios mais altos. A empresa também destacou demanda por produtos como HBM, DDR5 e SSDs de alta capacidade.
Samsung abriu vantagem contra SK Hynix e Micron
A disputa continua pesada, claro. SK Hynix e Micron seguem como rivais enormes nesse setor. Só que, nesse recorte, a Samsung conseguiu ganhar terreno justamente quando o mercado inteiro ficou mais valioso.
Segundo os números divulgados, a Samsung subiu de 36,5% para 38,6% de participação no mercado de DRAM. A SK Hynix ficou com 28,8%, enquanto a Micron apareceu com 22,4%.
Ou seja, não foi só uma alta geral que beneficiou todo mundo igual. A Samsung cresceu mais rápido que o mercado e conseguiu ampliar sua liderança.
Isso importa porque memória deixou de ser apenas “componente de computador”. Hoje, ela virou uma das engrenagens principais da infraestrutura de IA. Quem domina essa cadeia tem mais poder de negociação, mais margem e mais influência sobre o futuro dos eletrônicos.
O lado menos bonito da alta nas vendas de DRAM
Só que nem todo mundo comemora.
Quando fabricantes concentram produção em chips mais lucrativos para data centers, outros setores podem ficar com menos espaço na fila. Celulares, notebooks, consoles, câmeras e até SSDs sentem esse aperto.
Já há sinais de que a crise de memória pode pesar no preço de eletrônicos de consumo. A Omdia apontou que, no Sudeste Asiático, o preço médio dos smartphones atingiu recorde no primeiro trimestre de 2026, em parte por causa da inflação nos custos de memória e componentes.
E não para por aí. O The Verge também relatou que a escassez ligada à demanda de IA está pressionando os preços de SSDs, com alguns modelos custando duas ou três vezes mais do que no fim de 2025.
No fim, aquela corrida bilionária por IA pode aparecer no bolso de quem só queria trocar de notebook, montar um PC ou comprar um celular novo.
O que isso significa para quem compra tecnologia?
Para o consumidor comum, a palavra DRAM pode parecer distante. Mas ela está ali, quietinha, em quase tudo:
smartphones e tablets;
notebooks e PCs;
consoles e portáteis;
servidores, SSDs e equipamentos de rede.
Quando esse mercado fica pressionado, os efeitos podem aparecer de formas bem simples: produto mais caro, menos promoções, versões com menos memória ou lançamentos reajustados.
É aquele tipo de mudança que começa nos bastidores da indústria, mas chega na vitrine da loja. Aos poucos, sem muito alarde.
A IA virou motor de lucro, mas também de escassez
A Samsung está vivendo um momento raro: alta demanda, preços fortes e liderança em um mercado essencial. Para a empresa, é uma fase excelente. Para o setor de tecnologia, é um sinal claro de que a IA está reorganizando prioridades.
O ponto curioso é que a mesma memória que ajuda a treinar modelos avançados também é necessária para tarefas bem comuns do dia a dia. Abrir aplicativos, jogar, editar vídeos, salvar arquivos, usar o celular sem travar… tudo isso depende dessa cadeia.
Então, sim, a Samsung pode comemorar. Mas o consumidor talvez precise ficar de olho, porque essa festa dos chips pode acabar deixando alguns eletrônicos mais salgados nos próximos meses.