Sabe aquele susto de abrir o navegador e perceber que os anúncios voltaram como se nunca tivessem ido embora? Pois é… para quem usa o uBlock Origin no Chrome, esse cenário está cada vez mais perto de virar realidade.

A mudança não é exatamente nova, mas agora parece estar chegando naquele ponto sem volta. O Google já vinha encerrando o suporte ao antigo sistema de extensões, o Manifest V2, e empurrando o Chrome para o Manifest V3. Oficialmente, o Chrome já desativou extensões em Manifest V2 para os usuários a partir do Chrome 138 e removeu a política empresarial relacionada na versão 139.

Mas havia um detalhe: alguns “atalhos” ainda permitiam manter a versão clássica do uBlock Origin funcionando. Segundo a PCWorld, esses últimos caminhos devem desaparecer nas versões 150 ou 151 do Chrome, previstas para o fim de junho de 2026.

uBlock Origin no Chrome: o que está acontecendo

O uBlock Origin no Chrome não morreu como projeto. O que está em risco é a versão clássica dentro do navegador do Google.

Essa versão depende do Manifest V2, uma estrutura antiga que dava mais liberdade para certas extensões bloquearem anúncios, rastreadores e scripts antes mesmo de eles carregarem na página. Era justamente isso que fazia o uBlock Origin ser tão querido por muita gente.

O problema é que o Google decidiu migrar o Chrome para o Manifest V3. A empresa afirma que a mudança busca melhorar segurança, privacidade e desempenho no ecossistema de extensões. Em 2024, o próprio Chromium anunciou o início da eliminação gradual do Manifest V2 e disse que os usuários seriam direcionados a alternativas em Manifest V3.

Na prática, a versão clássica do uBlock Origin fica sem o terreno onde conseguia trabalhar com toda a força.

Por que o Manifest V3 incomoda tanta gente

O ponto sensível está no jeito como o navegador permite que uma extensão bloqueie conteúdo.

A Mozilla explica que o uBlock Origin clássico depende de um recurso chamado blockingWebRequest, ligado ao Manifest V2. No Chrome, a abordagem do Manifest V3 troca esse modelo por uma API mais limitada, a declarativeNetRequest, o que reduz a flexibilidade de bloqueadores mais avançados.

Traduzindo para o dia a dia: o bloqueador ainda pode funcionar, mas com menos liberdade para reagir a anúncios, rastreadores e truques usados pelos sites.

É por isso que tanta gente vê o Manifest V3 com desconfiança. Não é só uma atualização técnica escondida nos bastidores. Para usuários comuns, pode significar uma internet mais cheia de publicidade, mais pop ups e menos controle sobre o que aparece na tela.

uBlock Origin Lite é a saída mais simples?

Sim, mas com uma observação importante: ele não é exatamente a mesma coisa.

O uBlock Origin Lite foi criado para funcionar com o Manifest V3. No GitHub do projeto, ele é descrito como um bloqueador eficiente baseado na API MV3, com funcionamento declarativo e sem processo permanente rodando para filtrar conteúdo.

Isso soa ótimo para desempenho, né? E pode ser mesmo. Só que a versão Lite não entrega a mesma liberdade da extensão clássica.

Em termos bem práticos, espere algo assim:

Para quem só quer reduzir anúncios sem mexer em muita coisa, o Lite pode quebrar um galho. Para quem usava o uBlock Origin como uma ferramenta poderosa de privacidade, a troca pode deixar saudade.

O que fazer se você usa uBlock Origin no Chrome

A primeira opção é testar o uBlock Origin Lite e ver se ele atende sua rotina. Para muita gente, especialmente quem navega de forma mais casual, talvez seja suficiente.

Agora, se você faz questão da versão clássica, o caminho pode ser mudar de navegador. O Firefox segue uma linha diferente e afirma que continuará oferecendo suporte tanto ao Manifest V2 quanto ao Manifest V3, mantendo também o suporte ao blockingWebRequest.

O Opera também afirmou que pretende continuar dando suporte a extensões em Manifest V2 e manter seu bloqueador de anúncios nativo, mesmo com as mudanças do Chromium.

No fim, a escolha fica bem pessoal. Dá para seguir no Chrome com uma versão mais limitada, ou trocar de navegador para manter mais controle. O importante é não ser pego de surpresa quando a extensão simplesmente parar de responder.

No fim das contas, o usuário perde um pouco de controle

O fim da versão clássica do uBlock Origin no Chrome não é só uma história sobre anúncios. É também sobre como os navegadores decidem o que extensões podem ou não fazer.

Para quem só quer abrir sites sem pensar muito, talvez a mudança passe quase batida. Mas para quem se acostumou a navegar com menos rastreamento, menos distrações e mais controle, o impacto pode ser bem real.

Então vale aquele conselho simples: teste alternativas antes da mudança bater na porta. Assim, quando o Chrome cortar os últimos atalhos, você já sabe para onde ir.