O telefone fixo convencional estava presente em apenas 5,9% dos domicílios brasileiros em 2025, segundo dados do IBGE. Em 2016, o serviço ainda chegava a 32,6% das residências. A queda proporcional foi de quase 82% em menos de dez anos.

No mesmo período, o celular avançou de 93,1% para 97,4% dos lares, o maior percentual já registrado na série histórica da pesquisa. Os números confirmam uma mudança que transformou a comunicação doméstica: a linha fixa deixou de ser um item comum e passou a ocupar um espaço cada vez mais restrito.

Uso do telefone fixo despencou em menos de dez anos

A redução de 32,6% para 5,9% mostra que o telefone fixo se tornou exceção nas casas brasileiras. Muitas famílias mantiveram a linha durante algum tempo por hábito, mas deixaram de pagar pelo serviço à medida que as chamadas migraram para o celular.

A mudança também está ligada à popularização das mensagens de texto, dos áudios, das chamadas de vídeo e dos aplicativos de conversa. Comunicações que antes dependiam de uma ligação para a residência agora podem ser feitas instantaneamente e acompanhadas de qualquer lugar.

O celular ainda passou a concentrar outras funções do cotidiano. Além de chamadas, o aparelho permite acessar bancos, trabalhar, acompanhar notícias, ouvir música e assistir a filmes, reduzindo a necessidade de manter serviços separados.

Celular e internet mudaram a comunicação dentro de casa

A mobilidade ajuda a explicar a perda de espaço da linha convencional, mas não é o único fator. Aplicativos de mensagens, planos móveis com ligações ilimitadas, o custo de manter duas contas telefônicas e a frequência de chamadas publicitárias nas linhas residenciais também contribuíram para tornar o telefone fixo menos atraente.

Enquanto a linha convencional recuava, a conectividade avançava. Em 2025, a internet estava presente em 95% dos domicílios brasileiros, o equivalente a cerca de 76 milhões de residências.

Esse crescimento permite que conversas familiares, contatos profissionais e atendimentos sejam realizados por diferentes canais, sem depender de um número associado a um único endereço. E a evolução da internet contribui para essa transformação na comunicação.

Linha fixa ainda atende necessidades específicas

Apesar da queda, o telefone fixo continua útil em determinadas situações. Idosos acostumados ao aparelho, comércios, condomínios, consultórios e moradores de áreas com sinal móvel instável podem preferir manter o serviço.

A ampla presença do celular também não significa que a cobertura seja uniforme em todo o país. Em 2025, a rede móvel funcionava para telefonia ou internet em 92,9% dos domicílios. Nas áreas urbanas, o percentual chegava a 96,1%, mas caía para 68% na zona rural.

A diferença mostra que a substituição da linha fixa pelo celular ocorre em ritmos distintos. Enquanto parte da população já concentra toda a comunicação no aparelho móvel, moradores de algumas regiões ainda enfrentam dificuldades para completar chamadas ou acessar a internet.

Cerca de 1,9 milhão de domicílios brasileiros não tinham nenhum tipo de telefone em 2025, nem fixo nem móvel. As maiores proporções estavam no Nordeste, com 4,3%, e no Norte, com 2,7%.

Telefone fixo deve continuar perdendo espaço

A tendência indicada pelos dados é de redução contínua do uso residencial do telefone fixo. Isso não significa que o serviço desaparecerá imediatamente, mas que deverá permanecer concentrado em grupos, empresas e locais nos quais ainda oferece alguma vantagem.

Outros serviços tradicionais também vêm perdendo presença nos lares. Em 2025, a TV por assinatura estava em 23,5% dos domicílios que possuíam televisão. Entre aqueles que não contratavam o serviço, 62,2% afirmavam não ter interesse, enquanto 26,1% consideravam o preço elevado.

No caso do telefone fixo, a diferença entre os números de 2016 e 2025 mostra que a transição já está avançada. A linha residencial ainda existe, mas deixou de ocupar o papel central que teve durante décadas na comunicação das famílias brasileiras.