A Pomelo, uma força motriz na infraestrutura de pagamentos, acaba de recalibrar sua estratégia para o mercado corporativo.

A fintech anunciou a disponibilização de sua solução de Tokenização como Serviço (TaaS) de forma modular e independente. Essa movimentação é um passo calculado para atrair os grandes players financeiros que ainda operam com sistemas legados, oferecendo uma ponte para a modernização sem a complexidade de uma migração total.

Desvendando a Aposta da Pomelo: Segurança e Eficiência para o Mercado Financeiro Tradicional

A nova oferta da Pomelo, a Tokenização como Serviço (TaaS), representa uma evolução significativa no cenário de pagamentos. Ela permite que dados sensíveis de cartões, como número, validade e CVV, sejam substituídos por códigos digitais únicos, os chamados tokens.

Essa abordagem não apenas eleva o patamar de segurança das transações, mas também mitiga substancialmente os riscos de fraude, um ponto crítico para qualquer instituição financeira que busca proteger seus clientes e sua reputação.

O foco estratégico da Pomelo recai sobre os grandes players tradicionais do setor financeiro. Muitas dessas instituições ainda dependem de infraestruturas próprias ou processadoras legadas, que, embora robustas, podem ser lentas para se adaptar às inovações digitais.

Ao oferecer o TaaS de forma modular e independente do seu core de processamento, a Pomelo remove barreiras significativas à adoção. Isso significa que bancos e adquirentes podem implementar a tokenização moderna sem a necessidade de uma complexa e custosa migração de toda a sua operação.

Rafael Goulart, country manager da Pomelo no Brasil, enfatiza que essa aposta no TaaS fortalece a posição da empresa em soluções de crédito. Ele projeta que a solução funcionará como uma "porta de entrada" para que esses players tradicionais avancem em segurança e experiência digital, entregando benefícios tangíveis aos usuários.

Essa iniciativa surge apenas dois meses após a Pomelo ter garantido uma rodada Série C de US$ 55 milhões. O aporte foi co-liderado por investidores de peso como Kaszek e Insight Partners, com participação de Index Ventures, Adams Street Partners, S32, Endeavor Catalyst, monashees e TQ Ventures, sinalizando a confiança do mercado na visão e na tecnologia da fintech.

A Arquitetura por Trás da Inovação: Como a Tokenização Cloud-Native Redefine as Transações

A solução de TaaS da Pomelo foi meticulosamente desenvolvida em um ambiente cloud-native. Essa arquitetura moderna garante escalabilidade, flexibilidade e resiliência, características essenciais para o volume e a criticidade das operações financeiras.

A tecnologia contempla uma integração fluida com as principais carteiras digitais do mercado, além de uma gestão completa do ciclo de vida do token. Isso inclui desde a sua criação até a sua invalidação, garantindo controle total sobre a segurança dos dados.

Um diferencial importante é o suporte a transações tanto presenciais quanto online. Essa versatilidade assegura que a tokenização possa ser aplicada em todos os pontos de contato do cliente, unificando a experiência de segurança.

Segundo Rafael Goulart, o formato modular facilita a conexão com diferentes sistemas, independentemente da linguagem de programação utilizada pelos clientes. Isso acelera o tempo de resposta das transações, tanto para aprovação quanto para recusa, otimizando a eficiência operacional.

Outro benefício crucial é a capacidade de acompanhar toda a operação em tempo real. Emissores ganham visibilidade e controle sem a necessidade de esperar por processamentos posteriores, permitindo decisões mais rápidas e proativas na gestão de riscos e na experiência do cliente.

A oferta do TaaS como produto independente não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma resposta direta à demanda do mercado. Inicialmente, a tokenização era parte integrante do pacote completo de processamento da Pomelo, mas a crescente procura por essa funcionalidade isolada levou a empresa a reestruturá-la.

Essa flexibilidade permite que o módulo de TaaS seja integrado tanto a processadoras tradicionais quanto a sistemas próprios das instituições. Rafael Goulart projeta que a tokenização se tornará o padrão nas transações nos próximos anos, eliminando a necessidade de expor dados sensíveis em pagamentos.

A visão é de um "mundo 100% tokenizado", onde a jornada de compra se torna cada vez mais invisível e com menos etapas de interação do usuário. O Brasil, em particular, é apontado pelo executivo como um dos mercados mais avançados nesse processo, impulsionado pela alta adesão da população à tecnologia e à forte presença mobile.

A movimentação da Pomelo posiciona a empresa como um facilitador crucial na modernização da infraestrutura de pagamentos global.