A Microsoft vai adicionar ao Teams novos controles que permitem aos usuários desligar recursos de inteligência artificial durante videochamadas, depois de receber críticas sobre o uso cada vez mais automático desses recursos em ambientes corporativos. A novidade deve chegar ainda neste mês para Windows, macOS, versão web e aplicativos móveis.

Um painel dedicado para gerenciar a IA nas chamadas

O Teams vai receber um painel chamado Meeting AI, criado para gerenciar os recursos de inteligência artificial dentro de cada reunião. Por meio dele, organizadores poderão desligar a IA por completo ou desativar funções específicas, incluindo o Copilot, os resumos automáticos e o Facilitador, recurso responsável por gerar anotações durante as chamadas. A mudança se aplica apenas à reunião em andamento e não afeta o histórico de reuniões anteriores.

Na prática, o novo controle atende situações comuns no dia a dia corporativo, como reuniões rápidas, alinhamentos sensíveis ou conversas em que os participantes preferem ter mais clareza sobre o que está sendo registrado, sem depender de resumo automático por padrão.

O que motivou a mudança

O Teams vinha recebendo críticas por integrar funções de IA de forma cada vez mais automática em ambientes de trabalho. O problema apontado não era apenas a existência dessas ferramentas, mas a percepção de que estavam sendo impostas ao usuário sem opção clara de desativação. Quando uma IA acompanha falas, gera anotações e sugere respostas durante uma reunião, parte dos participantes pode se sentir monitorada, mesmo quando a intenção declarada é aumentar a produtividade.

O novo painel de controles responde diretamente a esse desconforto, substituindo a lógica de uso automático por uma lógica de escolha explícita. As políticas de TI definidas por cada organização continuam prevalecendo: se um administrador bloquear o uso de IA em nível corporativo, os funcionários sequer verão essas opções no painel, o que mantém o controle funcionando tanto no nível individual da reunião quanto no nível da empresa.

Ajustes de desempenho também estão a caminho

Além dos controles de privacidade, o Teams deve receber melhorias voltadas à experiência geral das chamadas. Uma interface mais simples está em teste, com o objetivo de reduzir erros comuns, como o compartilhamento acidental de tela. Está previsto também um Modo de Eficiência, focado em reduzir o consumo de memória RAM, recurso que deve beneficiar principalmente usuários de computadores mais limitados ou que costumam manter vários aplicativos abertos simultaneamente. Juntas, essas mudanças visam tornar o aplicativo mais leve e reduzir instabilidades comuns durante chamadas prolongadas.

Um recurso mais autônomo que ainda gera dúvidas

Ao mesmo tempo em que amplia o controle do usuário sobre a IA, a Microsoft também está testando recursos mais autônomos no Teams. Uma nova versão do Facilitador terá a capacidade de acompanhar a reunião e agir por conta própria no chat: ao identificar uma dúvida entre os participantes, a ferramenta poderá pesquisar no Bing e publicar uma resposta automaticamente, sem que alguém precise interromper a conversa para isso.

O recurso levanta questões relevantes sobre até que ponto uma IA deve intervir de forma autônoma em uma conversa corporativa, sobre a confiabilidade das respostas geradas e sobre o tratamento dos dados discutidos durante a reunião. Por esse motivo, a funcionalidade deve chegar desligada por padrão, o que indica que a própria Microsoft reconhece que nem todas as organizações estão prontas para conceder esse nível de autonomia a um assistente virtual dentro de reuniões de trabalho.

O equilíbrio entre produtividade e privacidade

Com esse conjunto de mudanças, a Microsoft tenta equilibrar dois interesses que vinham em rota de colisão dentro do Teams: a produtividade prometida por recursos de IA e a necessidade de transparência sobre o que está sendo processado durante uma reunião. Dar ao usuário a opção explícita de desligar esses recursos não encerra o debate mais amplo sobre privacidade no ambiente corporativo, mas torna o uso da IA no Teams menos automático e mais dependente de escolha consciente por parte de quem organiza e participa das reuniões.