A ferramenta exibiu uma seção chamada “Para você”, com cards que pareciam notícias ou recomendações personalizadas. Só que havia um detalhe importante: ao tocar no card, o texto era gerado na hora por inteligência artificial, com título chamativo, imagem feita por IA e pouca clareza sobre fontes. A Meta afirmou ao The Verge que o recurso era um teste limitado e que será descontinuado.
O feed da Meta AI parecia notícia, mas não era bem isso
A Meta AI apresentou esses conteúdos como sugestões personalizadas dentro do app. Na prática, os cards funcionavam como comandos prontos: o usuário tocava em um tema e o chatbot criava um artigo completo naquele momento.
E aí mora a parte estranha. O formato lembrava um feed de notícias, daqueles que misturam curiosidade, comportamento, celebridades e tecnologia. Mas os textos não vinham necessariamente de uma reportagem publicada, nem traziam atribuição clara de fontes.
Segundo o The Verge, algumas chamadas tinham aquele jeitinho clássico de clickbait: prometiam uma revelação curiosa, mas entregavam textos rasos, repetitivos ou até com informações pouco confiáveis. Em alguns casos, a IA também gerava imagens com falhas visuais bem típicas desse tipo de conteúdo.
Por que isso incomoda tanta gente?
A Meta AI não estava apenas respondendo a uma pergunta direta. O recurso sugeria temas antes mesmo de o usuário pedir algo. Isso muda bastante a sensação de uso, porque o app deixa de ser só um assistente e passa a se comportar como um feed tentando prender atenção.
O problema é que, quando um conteúdo parece notícia, mas é criado automaticamente, algumas perguntas aparecem rapidinho:
De onde vieram as informações usadas no texto?
O usuário sabe que aquilo foi gerado por IA?
Quem responde se o conteúdo estiver errado?
Nos testes relatados, os artigos não tinham indicação clara de fontes e podiam mudar a cada nova geração. Ou seja, duas pessoas poderiam tocar em um tema parecido e receber versões diferentes do mesmo “assunto”. Isso é péssimo para quem espera informação confiável.
A personalização deixa tudo ainda mais delicado
O ponto mais sensível é que as sugestões pareciam levar em conta interesses, localização e hábitos do usuário, como observou o Tecnoblog em seus testes.
Em tese, personalização pode ser útil. Ninguém reclama de receber uma dica de receita, treino ou filme quando ela faz sentido. Mas, quando essa lógica entra em um feed de textos com aparência jornalística, a conversa muda.
Afinal, um conteúdo feito sob medida pode ser mais tentador de clicar. Ele parece falar exatamente com você. E, se não houver transparência, fica mais difícil perceber quando a curiosidade virou só uma isca bem embalada.
Meta diz que foi só um teste
Depois da repercussão, a Meta disse que o recurso fazia parte de um teste para um número limitado de usuários e que não pretende seguir adiante com ele. A declaração foi enviada pela porta-voz Tracy Clayton ao The Verge.
Ainda assim, o episódio deixa uma pulga atrás da orelha. Não é só sobre um feed específico que pode desaparecer. É sobre o caminho que as plataformas estão testando: apps de IA que não apenas respondem, mas também sugerem, empurram temas e criam conteúdo em escala.
E vamos combinar: se isso não vier com rótulo claro, fonte visível e responsabilidade editorial, o usuário fica no escuro.
No fim, o alerta é simples
A história do feed de clickbait da Meta AI mostra como a linha entre assistente, rede social e publicador de conteúdo está ficando cada vez mais borrada.
A IA pode ajudar muito, claro. Mas quando ela cria textos com cara de notícia, imagem chamativa e título feito para fisgar clique, a transparência precisa vir antes da curiosidade.
Então, da próxima vez que um app entregar um card “perfeito demais” para o seu gosto, vale dar aquela respirada antes de tocar. Nem tudo que parece recomendação útil nasceu para informar.