Retração do Mercado de Delivery no Rio de Janeiro
A Keeta, aplicativo de delivery da gigante chinesa Meituan, decidiu postergar sua entrada no mercado do Rio de Janeiro, prevista para março. O motivo alegado foi a intensa competição e cláusulas de exclusividade impostas por empresas concorrentes, como 99Food e iFood, que, segundo a Keeta, criaram um ambiente de alta concentração de mercado, tornando difícil sua atuação na capital carioca.
Segundo a empresa, mesmo diante das adversidades, seus planos de expansão continuam. A Keeta mantém a projeção de investir cerca de R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo dos próximos cinco anos. A decisão atual é focar na resolução de questões estruturais que impedem uma concorrência saudável no segmento de delivery de alimentos no país.A saúde digital e a concorrência saudável são temas centrais dessa discussão.
"O mercado brasileiro de delivery é disfuncional, com uma das empresas concentrando 80% desse setor. Estamos comprometidos a promover um ambiente de negócios mais saudável no país", destacou Tony Qiu, presidente de Operações Internacionais da Keeta, em uma coletiva com jornalistas.
Investimentos e Obstáculos
A Keeta já havia planejado um investimento de R$ 400 milhões em sua operação no Rio de Janeiro e contava com aproximadamente 17 mil restaurantes interessados em utilizar sua plataforma. No entanto, muitos destes restaurantes possuem contratos de exclusividade com outros aplicativos, uma prática que tem dificultado a entrada de novos players no mercado.
Desde sua entrada no mercado brasileiro, começando por Santos e São Vicente, a Keeta tem conseguido expandir sua presença. Em dezembro, a empresa anunciou sua chegada à Grande São Paulo, abrangendo a capital e mais oito cidades do estado. Com mais de 2,8 milhões de downloads do aplicativo, a base de restaurantes da plataforma cresceu cerca de 40%, alcançando quase 38 mil estabelecimentos. A transformação digital é crucial nesse processo de expansão.
Cláusulas de Exclusividade e a Justiça
A principal dificuldade enfrentada pela Keeta está nas cláusulas de exclusividade, que afetam até 50% das grandes redes de restaurantes no Brasil. Tony Qiu acredita que a concorrência saudável, como ocorre em países como China e Estados Unidos, é benéfica tanto para o consumidor quanto para as empresas.
Atualmente, a Keeta está em uma batalha jurídica contra a 99Food, alegando práticas de concorrência desleal, como a inclusão de cláusulas de bloqueio em contratos. De acordo com o processo, a 99Food teria oferecido pagamentos antecipados para que restaurantes fechassem contratos de exclusividade, prejudicando assim a operação da Keeta.
Intervenção do CADE
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começou a observar de perto esse mercado, abrindo um processo administrativo que visa evitar infrações da ordem econômica. No entanto, segundo a Keeta, essa investigação ainda não trouxe mudanças efetivas.
Em resposta às acusações, o iFood defendeu-se afirmando que segue todas as normas, e que as cláusulas de exclusividade não representam a barreira alegada pela Keeta. Em nota, destacaram que o iFood não pode ter mais do que 8% dos estabelecimentos exclusivos na cidade e que há exceções para contratos mais longos, em casos de investimentos significativos para os restaurantes.
"Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações", reagiu o iFood.
Diante deste cenário de conflitos e negociações complicadas, a Keeta continua determinada a encontrar um equilíbrio competitivo no mercado de delivery brasileiro.