Uma nova análise da DeskTime mostra que o uso de inteligência artificial nos escritórios cresceu muito desde 2023. Só que, junto com esse crescimento, veio uma mudança curiosa: profissionais começaram a dividir suas tarefas entre ChatGPT, Gemini, Claude e outras ferramentas. Ou seja, a IA virou rotina, mas a fidelidade a uma só plataforma ficou para trás.
A rotina com IA ficou mais variada
No começo, era quase automático: precisava escrever, resumir, pesquisar ou organizar uma ideia? Muita gente abria o ChatGPT sem pensar duas vezes.
Agora, a cena mudou um pouco. Segundo a DeskTime, o tempo total rastreado em ferramentas de IA cresceu 2,6 vezes de 2023 para 2024 e 2,8 vezes de 2024 para 2025. Para 2026, os primeiros meses indicam uma nova alta forte, perto de 3 vezes no ano.
Só que esse aumento não ficou todo com a OpenAI. Em 2023, o ChatGPT concentrava 99,91% do tempo rastreado em IA. Nos primeiros quatro meses de 2026, essa fatia caiu para 74,71% entre os usuários analisados. Ainda é muito, claro. Mas já não é aquele domínio quase absoluto.
Gemini e Claude ganharam espaço rápido
O avanço dos rivais ajuda a explicar essa virada. O Gemini aparece como o principal desafiante, com 14,38% do tempo rastreado em IA no início de 2026. Já o Claude chegou a 8,56% e teve um crescimento forte no mesmo período.
Na prática, isso mostra algo bem humano: quando uma ferramenta resolve melhor uma parte da rotina, a pessoa passa a usar. Não por torcida, não por apego à marca, mas porque o trabalho pede agilidade.
Alguns profissionais podem preferir uma IA para textos longos, outra para pesquisa, outra para organizar ideias ou revisar documentos. E, aos poucos, o que antes parecia uma escolha única virou uma espécie de “caixinha de ferramentas”.
Entre os motivos que podem puxar essa troca estão:
busca por respostas mais alinhadas ao tipo de tarefa;
curiosidade para testar recursos novos;
integração com ferramentas já usadas no trabalho;
sensação de que cada IA tem um jeito próprio de responder.
O ChatGPT perdeu força, não relevância
Apesar da queda na participação, é cedo para falar em abandono do ChatGPT. Ele ainda lidera com folga no levantamento da DeskTime e segue como a ferramenta mais usada entre as plataformas analisadas.
O ponto principal é outro: o mercado amadureceu. A fase do “vou usar IA porque é novidade” começou a dar lugar ao “vou usar a IA que resolve melhor este problema”.
E isso muda bastante a conversa. Antes, o ChatGPT era quase sinônimo de inteligência artificial generativa. Agora, ele precisa disputar atenção em um ambiente onde Gemini e Claude ficaram mais conhecidos, mais testados e mais presentes nas empresas.
O TechRadar também destacou essa mudança, apontando que os profissionais estão diversificando suas ferramentas em vez de ficarem presos a uma única interface familiar.
Copilot ficou para trás nessa disputa
Um detalhe chama atenção no relatório: enquanto Gemini e Claude avançaram, o Microsoft Copilot aparece praticamente parado, com participação próxima de 1% ao longo dos últimos anos.
Isso é curioso porque a Microsoft tem presença enorme no ambiente corporativo. Mesmo assim, pelo menos dentro da base analisada pela DeskTime, o Copilot não mostrou o mesmo ritmo de crescimento dos outros concorrentes.
Ferramentas menores, como Perplexity, Mistral, Llama, DeepSeek e outras, também aparecem no levantamento, mas ainda sem uma fatia grande no uso diário dos escritórios.
No fundo, a briga mais visível hoje parece estar entre três nomes: ChatGPT, Gemini e Claude.
O que essa mudança diz sobre o futuro da IA no trabalho
A grande mensagem não é que o ChatGPT “acabou”. Longe disso. A mensagem é que as pessoas ficaram mais exigentes.
Quando uma tecnologia vira parte da rotina, ela deixa de ser tratada como mágica. Passa a ser avaliada como qualquer ferramenta de trabalho: ajuda mesmo? Economiza tempo? Entrega uma resposta útil? Combina com o meu jeito de trabalhar?
E aí, meu bem, não tem favoritismo que segure.
O mais provável é que o futuro da IA no trabalho seja menos sobre escolher uma única plataforma e mais sobre saber quando usar cada uma. Quem trabalha com texto, dados, atendimento, pesquisa ou planejamento pode acabar montando seu próprio “kit de IAs” para ganhar tempo sem perder qualidade.
No fim das contas, o ChatGPT ainda está no centro da conversa. Mas agora ele divide a mesa. E essa talvez seja a mudança mais importante: a inteligência artificial deixou de ser novidade isolada e virou uma disputa real por espaço na rotina profissional.