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title: "Robôs podem substituir 700 mil entregadores mais cedo do que se imagina"
author: "Luan Andrade"
published: 2026-06-25T21:30:29.266+00:00
updated: 2026-06-25T21:30:31.785582+00:00
section: "IA & Inovação"
canonical: https://bitflowtech.com.br/artigo/robos-vao-substituir-entregadores-na-china
source: BitFlow Tech
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# Robôs podem substituir 700 mil entregadores mais cedo do que se imagina

> O fundador da JD.com afirmou que robôs poderão substituir cerca de 700 mil entregadores na China. A empresa promete requalificar os trabalhadores, mas o avanço da automação já levanta dúvidas sobre empregos, renda e o futuro das entregas.

**Autor:** Luan Andrade  
**Publicado:** 2026-06-25  
**Seção:** IA & Inovação  
**Original:** https://bitflowtech.com.br/artigo/robos-vao-substituir-entregadores-na-china

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Imagine pedir um produto pela internet e, poucas horas depois, encontrar um pequeno veículo autônomo parado diante da sua casa. Não há uma moto estacionada, uma bicicleta encostada no portão nem uma pessoa segurando a encomenda. Apenas uma máquina aguardando a retirada do pacote.

A cena ainda parece saída de um filme de ficção científica, mas já começa a fazer parte da rotina de algumas cidades chinesas.

O debate ganhou força depois que Richard Liu, fundador e presidente da gigante de comércio eletrônico [JD.com](http://JD.com), afirmou que os robôs deverão assumir as entregas da companhia “mais cedo ou mais tarde”. Segundo o executivo, cerca de 700 mil entregadores poderão deixar essa atividade quando a tecnologia estiver pronta para funcionar em grande escala.

Liu não informou quando essa mudança deverá acontecer. Mesmo assim, a declaração causou impacto porque não partiu de alguém apenas especulando sobre o futuro. Ela veio do fundador de uma empresa que há anos investe em veículos autônomos, drones e centros logísticos altamente automatizados.

## A automação já saiu dos laboratórios

Custo, velocidade e disponibilidade ajudam a explicar por que as empresas demonstram tanto interesse nas entregas autônomas.

Um robô não precisa interromper o trabalho para descansar, pode seguir rotas definidas por sistemas inteligentes e consegue repetir a mesma tarefa durante grande parte do dia. Para uma companhia que movimenta milhões de pacotes, economizar alguns minutos em cada trajeto pode representar uma diferença considerável no fim do mês.

A substituição, no entanto, tende a começar pelos ambientes mais previsíveis.

Condomínios, universidades, aeroportos, hospitais e bairros planejados são mais fáceis de mapear do que regiões com buracos, obras, animais nas ruas, calçadas irregulares e pedestres atravessando fora da faixa. Quanto mais controlado o trajeto, menor a quantidade de imprevistos que o sistema precisa enfrentar.

A [JD.com](http://JD.com) já utilizava centenas de veículos autônomos em mais de 25 cidades chinesas em 2022. Durante a pandemia, a empresa também colocou robôs nas ruas de Wuhan para transportar produtos e suprimentos, diminuindo o contato direto entre as pessoas.

Portanto, a declaração de Richard Liu não nasceu de uma apresentação futurista. A tecnologia já existe e está sendo utilizada. O que permanece em aberto é quando ela se tornará barata, segura e confiável o suficiente para assumir uma parcela muito maior das entregas.

## O desafio não está apenas em colocar robôs nas ruas

Quando uma empresa fala em automatizar uma atividade atualmente exercida por 700 mil pessoas, a preocupação com o desemprego aparece quase imediatamente.

Richard Liu reconheceu esse risco durante um fórum empresarial da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico. O executivo afirmou que não pretende deixar os trabalhadores da companhia sem emprego ou renda quando os robôs passarem a assumir mais entregas.

Segundo ele, a [JD.com](http://JD.com) firmou acordos com aproximadamente 120 instituições de ensino para oferecer capacitação em novas atividades. Parte dos profissionais poderia trabalhar na manutenção dos veículos autônomos, no monitoramento remoto das rotas, na operação de centros logísticos ou no atendimento de situações que as máquinas não conseguem resolver sozinhas.

A proposta parece promissora, mas a transição dificilmente será simples.

Transformar um entregador em técnico de robótica não depende apenas de um curso rápido ou da troca de uniforme. São ocupações com exigências diferentes. Alguns profissionais poderão se adaptar com facilidade, enquanto outros precisarão de formação mais longa, apoio financeiro e garantia de renda durante o processo.

Também haverá trabalhadores que não desejarão seguir por esse caminho ou que poderão encontrar dificuldades para atender às novas exigências.

O verdadeiro teste da automação, portanto, não será apenas fazer um robô entregar uma caixa. Será descobrir se as empresas conseguirão atualizar a qualificação das pessoas na mesma velocidade em que atualizam suas máquinas.

## Pessoas e máquinas ainda deverão dividir as rotas

A substituição dos entregadores não deve acontecer de uma só vez. A tendência é que a mudança avance gradualmente e de maneira desigual.

Veículos autônomos podem funcionar bem dentro de um campus, em condomínios ou em regiões com ruas largas e bem sinalizadas. Em bairros movimentados, com escadas, portões fechados, calçadas estreitas e endereços confusos, o profissional humano ainda possui uma vantagem importante.

Há também situações banais para uma pessoa, mas extremamente complicadas para uma máquina.

Quem recebe a encomenda quando o cliente não está em casa? Como o robô entra em um prédio que não possui acesso automatizado? O que ele faz quando uma obra bloqueia a calçada ou quando um veículo está estacionado diante do local de entrega?

Durante algum tempo, o cenário mais provável será o trabalho conjunto. As máquinas poderão assumir rotas repetitivas e previsíveis, enquanto as pessoas continuarão responsáveis pelas entregas mais complexas, pelo contato com os clientes e pela solução dos imprevistos.

Isso não reduz o tamanho da transformação.

A China pode chegar a aproximadamente 320 milhões de trabalhadores em ocupações flexíveis em 2026. Esse grupo inclui entregadores, motoristas de aplicativo e profissionais temporários, representando uma parcela expressiva do emprego urbano no país.

Quando uma mudança tecnológica pode atingir tanta gente, ela deixa de ser apenas uma estratégia empresarial. Passa a ser também uma questão econômica e social.

## O impacto pode chegar ao Brasil antes dos robôs

Não há sinais de que centenas de milhares de entregadores brasileiros serão substituídos de uma hora para outra. As cidades do país apresentam dificuldades de infraestrutura, segurança e organização urbana que tornam mais complexa a adoção de veículos completamente autônomos.

Isso não significa, porém, que o Brasil ficará distante dessa transformação.

Drones, armários inteligentes, sistemas automatizados de distribuição e plataformas capazes de calcular rotas já diminuem a necessidade de intervenção humana em diferentes etapas do processo logístico. A substituição completa pode demorar, mas a transformação das funções provavelmente chegará antes.

O entregador do futuro talvez passe menos tempo pilotando e mais tempo supervisionando trajetos, atendendo clientes ou resolvendo encomendas que os sistemas automáticos não conseguem concluir.

Por isso, a discussão não deveria se limitar à pergunta sobre quantos empregos os robôs poderão eliminar. Uma questão igualmente importante é saber quem terá condições de ocupar os novos postos criados pela automação.

Sem treinamento, proteção trabalhista e planejamento, a tecnologia poderá aumentar a insegurança de profissionais que já trabalham sob forte pressão. Com uma transição bem conduzida, poderá retirar pessoas de atividades perigosas, repetitivas ou fisicamente desgastantes.

No fim, o alerta da [JD.com](http://JD.com) diz menos sobre pequenos robôs simpáticos carregando caixas e mais sobre as decisões tomadas por empresas e governos.

As máquinas continuarão avançando. O que ainda não está decidido é se os trabalhadores avançarão junto com elas ou se serão deixados alguns quilômetros para trás.

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