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title: "Ego de CEOs pode explicar resistência ao home office, aponta estudo"
author: "Caíque Andrade "
published: 2026-06-26T01:01:17.585+00:00
updated: 2026-06-26T01:01:20.011288+00:00
section: "Mercado Tech & Big Tech"
canonical: https://bitflowtech.com.br/artigo/ego-ceos-rejeicao-home-office
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# Ego de CEOs pode explicar resistência ao home office, aponta estudo

> Um estudo relacionou traços narcisistas de CEOs à rejeição do home office e do trabalho híbrido. A pesquisa sugere que poder, status e ego também podem influenciar decisões de retorno ao escritório.

**Autor:** Caíque Andrade   
**Publicado:** 2026-06-26  
**Seção:** Mercado Tech & Big Tech  
**Original:** https://bitflowtech.com.br/artigo/ego-ceos-rejeicao-home-office

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A resistência de algumas lideranças ao home office pode estar relacionada a fatores que vão além da produtividade. Um estudo conduzido durante seis anos por pesquisadores ligados à Wharton School encontrou uma associação entre traços narcisistas e uma rejeição mais intensa ao trabalho remoto e híbrido.

Empresas costumam justificar o retorno ao escritório pela necessidade de ampliar a colaboração, estimular a criatividade e fortalecer a cultura interna. Esses argumentos podem ser válidos em diferentes contextos, mas a pesquisa indica que características pessoais de quem ocupa cargos de comando também podem influenciar esse tipo de decisão.

## Narcisismo foi o traço mais associado à rejeição do trabalho remoto

Os pesquisadores Adam Grant, Marissa Shandell e Courtney Elliott analisaram executivos, gerentes e supervisores. Entre os traços de personalidade avaliados, o narcisismo apresentou a relação mais consistente com posições contrárias ao trabalho remoto e híbrido.

A associação não permite concluir que todo líder favorável ao trabalho presencial seja narcisista. Algumas atividades dependem de equipamentos específicos, atendimento direto a clientes, treinamento presencial ou interação constante entre equipes.

A resistência se torna mais difícil de justificar quando a presença diária é exigida para funções que poderiam ser realizadas remotamente e sem que a empresa apresente uma necessidade operacional clara.

Como não seria viável perguntar diretamente aos CEOs sobre o próprio ego, o estudo recorreu a indicadores utilizados em pesquisas anteriores sobre narcisismo executivo. A análise considerou fatores como remuneração, tamanho das assinaturas e destaque dado às fotografias dos líderes nos relatórios corporativos.

Executivos com pontuações mais elevadas nesses indicadores apresentaram maior probabilidade de buscar posições adicionais de status, como acumular a presidência do conselho, e de fazer declarações negativas sobre o home office durante os primeiros anos da pandemia. A pesquisa incluiu CEOs de empresas da Fortune 500.

## O escritório também funciona como espaço de demonstração de poder

No ambiente presencial, a posição hierárquica costuma ser acompanhada por sinais visíveis. A sala maior, a chegada observada pelos funcionários, as reuniões e a própria organização física do escritório ajudam a reforçar a autoridade de uma liderança.

Parte desses elementos desaparece no trabalho remoto. O profissional continua responsável por decisões e resultados, mas passa a exercer a liderança principalmente por meio da comunicação e da capacidade de coordenar a equipe.

Para pessoas que valorizam atenção, admiração ou manifestações visíveis de poder, essa redução de exposição pode gerar desconforto.

Os pesquisadores também realizaram um experimento no qual participantes foram estimulados a refletir sobre a importância de uma personalidade forte e assertiva para o sucesso de líderes como Steve Jobs e Larry Ellison. Depois desse estímulo, o grupo demonstrou uma rejeição maior ao trabalho remoto do que os participantes que não receberam a mesma provocação.

O resultado acrescenta um elemento à correlação observada na pesquisa. O experimento sugere que pensamentos relacionados a ego, poder e status podem aumentar a resistência ao home office, embora não permitam atribuir todas as políticas de retorno presencial a esse fator.

## Estudos não apontam uma única resposta sobre produtividade

O impacto do home office varia conforme a atividade, o perfil da equipe e a maneira como o trabalho é organizado. O ambiente presencial pode facilitar trocas informais, integração e aprendizado, enquanto o trabalho remoto reduz deslocamentos, interrupções e exposição a locais barulhentos.

Um experimento publicado na revista *Nature* acompanhou 1.612 funcionários da empresa de tecnologia [Trip.com](http://Trip.com). A pesquisa comparou profissionais que trabalhavam presencialmente com empregados autorizados a permanecer em casa durante dois dias por semana.

O modelo híbrido reduziu os pedidos de demissão em aproximadamente um terço e aumentou a satisfação dos funcionários. Ao mesmo tempo, não foram identificadas perdas relevantes nas avaliações de desempenho, nas promoções ou na quantidade de código produzida pelos engenheiros.

Outra pesquisa analisou mandatos de retorno ao escritório adotados por empresas do S&P 500. O levantamento não encontrou melhora significativa no desempenho financeiro nem no valor das companhias após a implementação dessas políticas. Os autores observaram, porém, uma redução na satisfação dos funcionários.

Uma análise baseada em 260 milhões de currículos também encontrou sinais de saída de profissionais mais experientes depois das políticas de retorno presencial adotadas por Microsoft, SpaceX e Apple. Segundo os pesquisadores, parte desses trabalhadores passou a atuar em concorrentes de grande porte.

## Regras presenciais precisam ter objetivos definidos

A discussão não precisa ser tratada como uma disputa na qual apenas o escritório ou o home office pode funcionar. O principal desafio para as empresas é identificar quais atividades realmente se beneficiam da presença física e o que se pretende alcançar com cada encontro.

Dias presenciais podem ser úteis para integração, planejamento, treinamento ou atividades criativas em grupo. Exigir que funcionários enfrentem longos deslocamentos para passar o expediente participando de reuniões virtuais, por outro lado, tende a oferecer pouco ganho para a cultura da empresa.

Antes de estabelecer uma regra geral, a liderança pode avaliar:

- quais tarefas apresentam resultados melhores quando realizadas presencialmente;

- quanto o deslocamento interfere na rotina dos funcionários;

- quais indicadores serão utilizados para avaliar o desempenho;

- se a equipe participou da construção da política.

A coordenação dos dias presenciais também é importante. Colocar os funcionários no escritório em datas diferentes reduz as possibilidades de interação e dificulta o objetivo declarado de ampliar a colaboração.

Uma política mais equilibrada considera a função desempenhada, o nível de experiência e as necessidades da equipe. Profissionais recém-contratados podem precisar de acompanhamento mais próximo, enquanto trabalhadores experientes podem exercer suas atividades com maior autonomia.

## Presença física não garante comprometimento

Estar no escritório não significa, por si só, produzir mais. Um funcionário pode permanecer próximo à liderança e apresentar baixo desempenho, enquanto outro pode trabalhar remotamente, cumprir prazos e entregar resultados consistentes.

O estudo conduzido pelos pesquisadores ligados à Wharton não encerra o debate sobre o home office nem demonstra que todas as políticas de retorno presencial são motivadas pelo ego dos executivos. A pesquisa, contudo, chama atenção para a influência que interesses pessoais e sinais de status podem exercer sobre decisões capazes de afetar milhares de trabalhadores.

Políticas de trabalho deveriam partir das necessidades das funções, das evidências de desempenho e dos objetivos da empresa. Quando a visibilidade da equipe se torna mais importante do que os resultados entregues, o retorno ao escritório corre o risco de atender mais à liderança do que à organização.

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