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title: "Claro vira alvo da ANPD por compartilhar dados de clientes com a Serasa"
author: "Luan Andrade"
published: 2026-06-09T23:25:15.329+00:00
updated: 2026-07-09T04:15:16.719342+00:00
section: "Mercado Tech & Big Tech"
canonical: https://bitflowtech.com.br/artigo/claro-vira-alvo-da-anpd-por-compartilhar-dados-de-clientes-com-a-serasa
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# Claro vira alvo da ANPD por compartilhar dados de clientes com a Serasa

> Você já teve aquela sensação de que seus dados “andam por aí” mais do que deveriam? Pois é… um novo caso envolvendo a Claro e a Serasa reacendeu justamente essa preocupação.

**Autor:** Luan Andrade  
**Publicado:** 2026-06-09  
**Seção:** Mercado Tech & Big Tech  
**Original:** https://bitflowtech.com.br/artigo/claro-vira-alvo-da-anpd-por-compartilhar-dados-de-clientes-com-a-serasa

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A Agência Nacional de Proteção de Dados abriu um processo administrativo contra a operadora após identificar indícios de problemas em uma parceria comercial com a empresa de análise de crédito. No centro da discussão está o compartilhamento de informações de clientes, que teria ocorrido de forma ampla demais e sem a transparência esperada pela LGPD.

O contrato entre as empresas foi encerrado depois da atuação da agência reguladora. Mas, agora, a Claro ainda terá que se defender e explicar em detalhes como esse uso de dados aconteceu.

## O que fez a Claro virar alvo da ANPD

O ponto principal do caso é um acordo firmado entre a Claro e a Serasa. Segundo a apuração, a operadora teria repassado dados de sua base de assinantes para ajudar no desenvolvimento de análises de crédito e estudos sobre o mercado financeiro.

Até aí, muita gente pode pensar: “mas empresas não usam dados o tempo todo?”. Usam, sim. Só que existe uma diferença enorme entre tratar dados com base legal, finalidade clara e comunicação transparente, e fazer isso de um jeito amplo demais.

No caso analisado pela ANPD, o volume chamou atenção. A Claro teria compartilhado mais de cem tipos de dados de cada cliente com a Serasa. E é justamente essa quantidade, somada à falta de clareza para os titulares, que colocou a operadora em situação delicada.

Em outras palavras: o problema não está apenas em compartilhar dados. Está em como isso foi feito, com qual limite e se o cliente realmente sabia para onde suas informações estavam indo.

## Por que esse caso preocupa tanta gente

Dados pessoais não são só números em uma planilha. Eles contam muito sobre hábitos, consumo, rotina, localização, perfil financeiro e até sobre a forma como uma pessoa se relaciona com serviços essenciais.

Quando uma operadora de telefonia compartilha informações com uma empresa de crédito, o impacto pode ser maior do que parece. Afinal, estamos falando de clientes que, muitas vezes, não imaginavam que seus dados poderiam ser usados em análises desse tipo.

A LGPD exige alguns cuidados importantes:

- informar com clareza quais dados são usados e por quê;

- limitar o uso ao que é realmente necessário;

- garantir que o titular entenda com quem suas informações são compartilhadas;

- manter bases legais adequadas para cada finalidade.

É por isso que a ANPD apontou indícios de falta de transparência e possível compartilhamento excessivo. Para o consumidor comum, a grande questão é simples: “eu fui avisado disso de um jeito fácil de entender?”.

Se a resposta for não, o caso fica ainda mais sensível.

## Multa pode chegar a valores milionários

Com a abertura da fase sancionadora, a Claro passa a correr risco de punição caso as irregularidades sejam confirmadas ao fim do processo.

A LGPD permite multa de até 2% do faturamento bruto da empresa no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração. É uma punição pesada, justamente para evitar que o tratamento indevido de dados seja visto apenas como um “custo do negócio”.

Ainda assim, a multa não é automática. A empresa terá direito à defesa e poderá apresentar seus argumentos à autoridade.

A Claro afirma que respeita a privacidade dos clientes e que o contrato com a Serasa seguia as regras da LGPD e da própria ANPD. A operadora também diz que os dados teriam sido usados apenas em estudos e análises internas, sem incorporação em produtos colocados no mercado.

Mesmo com essa explicação, a agência vai avaliar se houve excesso, falta de informação adequada ou descumprimento de regras previstas na legislação.

## A Serasa também será fiscalizada

A Serasa não entrou, neste momento, na mesma fase sancionadora da Claro. Mas isso não significa que a empresa está fora do radar.

A ANPD abriu um procedimento de fiscalização para verificar se a companhia informa de forma clara de onde vêm os dados usados em suas bases e com quem essas informações são compartilhadas.

Esse ponto é importante porque empresas de análise de crédito costumam lidar com grandes volumes de dados. Por isso, a transparência precisa ser ainda mais rigorosa.

A agência deve observar, por exemplo, se a política de privacidade deixa claro:

- quais empresas fornecem dados à Serasa;

- como esses dados são tratados;

- quem pode acessar essas informações;

- quais direitos o titular pode exercer.

Caso a fiscalização encontre problemas, a Serasa também poderá avançar para uma etapa de sanções.

## O que o consumidor pode tirar desse caso

Esse episódio serve como um lembrete bem direto: dados pessoais têm valor. E não pouco.

Muitas vezes, a gente aceita contratos, termos e políticas de privacidade sem ler tudo. Tudo bem, quase ninguém tem paciência para aqueles textos enormes. Mas casos como esse mostram como é importante que as empresas expliquem o uso dos dados de um jeito simples, acessível e sem rodeios.

Para quem é cliente de operadoras, bancos, lojas ou plataformas digitais, vale ficar de olho em atualizações de políticas de privacidade e nos canais de atendimento para pedidos relacionados à LGPD.

O consumidor tem direito de saber quais dados uma empresa guarda, com quem compartilha e para qual finalidade. E, quando algo parece confuso demais, já é um sinal de alerta.

No fim das contas, o caso da Claro com a Serasa vai além de uma disputa administrativa. Ele toca em uma pergunta que importa para todo mundo: até onde as empresas podem ir com as informações que sabem sobre nós?

Agora, resta acompanhar a defesa das companhias e a decisão da ANPD. Porque, quando o assunto é dado pessoal, [transparência](/artigo/vazamento-no-inss-expoe-dados-mas-97-eram-de-pessoas-falecidas) nunca deveria ser detalhe.

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