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title: "Anthropic acusa Alibaba de roubar dados do Claude e acende alerta na corrida da IA"
author: "Luan Andrade"
published: 2026-06-26T00:51:46.137+00:00
updated: 2026-06-26T00:51:49.868643+00:00
section: "Mercado Tech & Big Tech"
canonical: https://bitflowtech.com.br/artigo/anthropic-acusa-alibaba-dados-claude
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# Anthropic acusa Alibaba de roubar dados do Claude e acende alerta na corrida da IA

> A Anthropic acusa o Alibaba de usar 25 mil contas falsas e milhões de interações para extrair capacidades do Claude. Entenda como funciona um ataque de destilação de IA e por que o caso aumenta a tensão tecnológica entre Estados Unidos e China.

**Autor:** Luan Andrade  
**Publicado:** 2026-06-26  
**Seção:** Mercado Tech & Big Tech  
**Original:** https://bitflowtech.com.br/artigo/anthropic-acusa-alibaba-dados-claude

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Imagine investir anos de trabalho, bilhões de dólares e uma equipe numerosa no desenvolvimento de uma inteligência artificial. Depois, um concorrente cria milhares de perfis falsos e envia milhões de perguntas ao sistema, tentando reproduzir justamente as habilidades que exigiram tanto tempo e dinheiro para serem construídas.

Esse é o cenário descrito pela Anthropic em uma acusação encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos. Segundo a criadora do Claude, operadores ligados ao Alibaba e ao laboratório Qwen teriam utilizado quase 25 mil contas fraudulentas para acessar seus modelos em grande escala.

O Alibaba ainda não havia se pronunciado publicamente sobre as alegações até a divulgação do caso.

A disputa levanta uma questão que vai além da concorrência entre duas empresas: como proteger uma inteligência artificial quando qualquer pessoa pode conversar com ela, analisar suas respostas e tentar transformar esse material em treinamento para outro sistema?

## Operação teria produzido 28,8 milhões de interações

Os acessos suspeitos teriam ocorrido entre 22 de abril e 5 de junho de 2026. Nesse período, as contas identificadas pela Anthropic produziram mais de 28,8 milhões de interações com o Claude.

Os números aparecem em uma carta enviada pela empresa aos senadores Tim Scott e Elizabeth Warren em 10 de junho.

Considerando o intervalo citado, a operação teria envolvido centenas de milhares de conversas por dia. É um padrão muito diferente daquele observado quando uma pessoa usa um chatbot para revisar um texto, esclarecer uma dúvida ou organizar compromissos.

A Anthropic afirma que os acessos foram realizados por operadores ligados ao Alibaba e ao Qwen, família de modelos de inteligência artificial desenvolvida pelo grupo chinês. O objetivo seria observar e reproduzir capacidades avançadas do Claude, principalmente em programação, resolução de problemas e tarefas executadas com maior autonomia.

A empresa classificou o episódio como o maior ataque conhecido de destilação contra seus sistemas.

Essa definição, porém, representa a posição da Anthropic. Até a publicação das primeiras reportagens sobre o caso, o Alibaba ainda não havia apresentado uma resposta pública ao conteúdo da carta.

## Como funciona a destilação de inteligência artificial

O termo parece complexo, mas a lógica pode ser entendida com uma comparação simples.

Imagine uma professora experiente e um aluno que registra milhares de respostas dadas por ela. Em vez de estudar todo o conteúdo desde o início, esse aluno tenta aprender observando a maneira como a professora raciocina, organiza as etapas e resolve os exercícios.

Na inteligência artificial, a destilação também pode ser utilizada de forma legítima. Desenvolvedores recorrem às respostas de um modelo maior para treinar outro sistema mais leve, rápido e barato.

O problema surge quando o processo é realizado sem autorização, com o uso de contas falsas e mecanismos destinados a contornar os controles da plataforma.

Em uma operação desse tipo, grandes conjuntos de perguntas são enviados ao modelo mais avançado. As respostas são comparadas, padrões são identificados e o material resultante pode ser usado no aprimoramento de outro sistema. O procedimento é repetido até que determinadas habilidades sejam reproduzidas.

O modelo original acaba funcionando como uma espécie de professor involuntário.

Segundo a Anthropic, campanhas dessa natureza permitem economizar parte do tempo, dos dados e do investimento necessários para desenvolver capacidades avançadas de maneira independente. A empresa também argumenta que os modelos treinados com esse material podem não incorporar as mesmas barreiras de segurança existentes no sistema original.

## O interesse estaria nas capacidades de agente do Claude

Os modelos mais recentes de inteligência artificial deixaram de atuar apenas como ferramentas de perguntas e respostas.

Eles já conseguem analisar códigos, planejar diferentes etapas de uma tarefa, consultar ferramentas e trabalhar por períodos mais longos sem depender de uma nova instrução humana a cada ação.

A denúncia indica que esse chamado raciocínio de agente estava entre os principais alvos da operação. Essa capacidade permite que o sistema divida um problema em etapas menores e tome decisões sucessivas até chegar ao resultado esperado.

Trata-se de uma habilidade especialmente valiosa para desenvolvimento de software, pesquisa, análise documental e automação de processos.

Um modelo com essas características pode funcionar como um assistente digital que recebe um objetivo e tenta encontrar, com alguma autonomia, o caminho necessário para cumpri-lo.

A Anthropic sustenta que o Alibaba pretendia acelerar o desenvolvimento de seus próprios modelos e aproximá-los das capacidades do Mythos Preview, um dos sistemas avançados citados pela companhia. O Claude também teria recebido um grande volume de consultas relacionadas à engenharia de software e à execução de trabalhos de longa duração.

O ataque descrito pela empresa, portanto, não teria como objetivo principal roubar senhas ou acessar conversas pessoais de usuários. O foco alegado estava nas capacidades técnicas, nos métodos de resolução de problemas e nos padrões de resposta do próprio modelo.

## Caso amplia a tensão tecnológica entre Estados Unidos e China

A acusação surge em um período de forte disputa entre empresas norte-americanas e chinesas pelo desenvolvimento de modelos mais poderosos.

Ao mesmo tempo, o governo dos Estados Unidos amplia os controles sobre chips avançados, infraestrutura computacional e sistemas considerados estratégicos.

Em fevereiro de 2026, a Anthropic já havia relatado campanhas atribuídas aos laboratórios chineses DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax. Segundo a empresa, esses grupos teriam utilizado contas fraudulentas e serviços de proxy para realizar milhões de interações com o Claude e evitar os mecanismos de detecção.

Na nova carta, a companhia defendeu uma cooperação mais próxima entre o governo e as empresas de inteligência artificial. Entre as medidas propostas está o compartilhamento de informações sobre ameaças e operações suspeitas.

A Anthropic também voltou a apoiar restrições destinadas a dificultar o acesso de grupos estrangeiros a chips avançados e à infraestrutura necessária para executar operações de grande escala.

A própria empresa, entretanto, também enfrenta limitações impostas pelas autoridades norte-americanas.

Em 12 de junho de 2026, o governo determinou a suspensão do acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 devido ao receio de utilização por serviços militares ou de inteligência de países considerados sensíveis. A Anthropic informou que precisou desativar globalmente o acesso a esses sistemas.

A discussão, portanto, não se resume à autoria de determinada tecnologia. Ela envolve propriedade intelectual, segurança nacional e o poder que modelos avançados podem oferecer tanto a empresas quanto a governos.

## Plataformas podem reforçar os controles de acesso

Para quem utiliza o Claude ou outros chatbots no cotidiano, o episódio não provoca uma mudança imediata. Ainda assim, acusações desse tipo podem levar as plataformas a aumentar a fiscalização.

Limites de uso mais rígidos, verificações adicionais de identidade e sistemas capazes de detectar contas que enviam milhares de perguntas semelhantes estão entre as possíveis respostas.

O desafio será impedir operações automatizadas de grande escala sem dificultar o trabalho de pesquisadores, desenvolvedores e usuários legítimos.

Existe uma diferença considerável entre aprender com uma ferramenta e tentar reproduzir comercialmente suas capacidades. Uma pessoa pode consultar um chatbot para estudar programação. Uma empresa, por outro lado, pode criar milhares de contas, reunir milhões de respostas e usar esse material no desenvolvimento de um produto concorrente.

A escala, a intenção e a forma de acesso são fatores decisivos para separar essas duas situações.

A atenção agora se volta para uma possível manifestação do Alibaba e para as medidas que poderão ser discutidas pelo Congresso dos Estados Unidos.

As alegações da Anthropic ainda precisam ser examinadas. Mesmo assim, o caso mostra que parte da próxima disputa da inteligência artificial não acontecerá apenas dentro de laboratórios ou centros de dados.

Ela também será travada por meio de contas falsas, milhões de prompts e sistemas tentando descobrir quem realmente está do outro lado da tela.

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